sexta-feira, 16 de julho de 2010

Selva

 Ela olhava assustada para toda aquela selva humana. Pessoas desconhecidas, tudo desconhecido. Sentia-se perdida a meio de tantas novidades, não sabia o que fazer. Talvez ela fosse muito diferente, ou normal demais para toda aquela selvageria, não conseguia aproximar-se de ninguém. Tentava conversar com a pessoa mais normal que aparecia. Difícil. Todas suas tentativas foram em vão. Não conseguia dizer ao menos um “oi” sem que alguém a interrompesse. Consequentemente ela desistiu. Confusão demais para sua cabeça complicada. Isolou-se de tudo aquilo e só assim foi notada. Anti-social?  Todos apontavam o dedo em sua face e a chamavam de estranha, esquisita. Como se toda aquela selva humana fosse à coisa mais normal de todas, e de fato isso se tornou.  Mas ela não aceitava, gostava de ser isolada, sentia-se bem. Acreditava que mais cedo ou mais tarde alguém que não entendesse aquilo tudo como ela, se aproximasse. Ou não. Ela estava confortável assim.

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